Mudei de país… e agora?

7829109018_6237bd5b43_oPhoto credit: Justin Vidamo

Pra muita gente, mudar de país soa como tirar férias prolongadas. Lembra da sua última viagem a turismo? Passeios por lugares novos, comida diferente, algumas dificuldades pra seguir o mapa.

Quando você se muda pro exterior, certamente vai conhecer lugares novos. Experimentar outras comidas. Provavelmente vai enfrentar dificuldades com o mapa. Mas nessa conta falta incluir muita coisa. Mesmo que você já tenha uma lista mais completa do que esperar pela frente (seja por ter conversado com aquele amigo que mora fora há anos, ou por você mesmo já ter vivido no exterior), será que você está mesmo preparado pra tudo que vai aparecer?

O que influencia a adaptação no exterior

Não existe uma regra geral que determine esse processo. Ele tende a ser mais suave quanto mais parecida são as culturas. Porém, tem muito mais coisa em jogo: os motivos que levaram à mudança, o idioma, a experiência de vida de cada pessoa, o tempo de permanência, família, carreira e as redes formadas no país de destino são alguns exemplos.

Muitas vezes surgem dúvidas: “Será que eu devia mesmo ter vindo pra cá?”,“O que vai ser do meu futuro?”, “Quando é hora de voltar?”. É preciso colocar na balança os fatores envolvidos para ajudar a trazer clareza para essas decisões.

Outras vezes, o que aperta é a distância: da família, dos amigos, da carreira que se tinha no Brasil. Aprender a lidar com a saudade leva tempo, mas é essencial construir um suporte emocional para que isso não atrapalhe em outros aspectos da vida no novo país.

Algumas pessoas se deparam com questões em relação à própria identidade. Estamos acostumados a ser vistos ou reconhecidos de uma maneira específica por nossos colegas: o brincalhão da turma, que sempre faz piada das coisas; ou a pessoa para quem todos pedem conselhos e informações. De repente, não é mais assim. Falta domínio do idioma, ou ficar mais a vontade no ambiente. Ser visto sempre como o “gringo” ou a pessoa “diferente” a princípio tem suas vantagens, mas com o tempo pode ser cansativo.

Em casos de famílias expatriadas, o processo ainda envolve os filhos e o cuidado para que a adaptação deles tenha sucesso. Os pais, lidando com as próprias questões, podem se beneficiar muito de um profissional que apresente algumas ferramentas para liberar um pouco da própria tensão e facilitar o entendimento do que as crianças precisam nessa fase.

Sinais de turbulência

Sentimentos de ansiedade, tristeza, stress e irritação podem estar presentes. Também sintomas como insônia, coração acelerado, cansaço excessivo e dores musculares vêm à tona devido ao turbilhão de emoções vivenciado. Se você está enfrentando mudanças de humor, dificuldades de relacionamento ou sintomas físicos por um tempo mais prolongado, é hora de procurar novas maneiras de lidar com isso.

Um psicoterapeuta com experiência em questões interculturais pode ajudá-lo a organizar estratégias e a compreender melhor as dificuldades que estão sendo vivenciadas. Dessa forma, o choque cultural será mais ameno e pode ser superado mais rapidamente.