O que meu terapeuta me ensinou

4272132516_ab67dfc771_o Photo credit: Neal Fowler

Eu tinha 15 anos quando fiz terapia pela primeira vez. Era uma cidade pequena no interior do Paraná, onde ainda era tabu falar que você vai ao psicólogo. Eu ia bem na escola, tinha boas amigas, não tinha problemas de saúde e estava me preparando pra fazer um intercâmbio no ano seguinte. As pessoas não entendiam muito bem qual era a necessidade de eu encontrar semanalmente minha psicóloga: poucas sabiam o que realmente se passava comigo. Até hoje lembro da importância de ter alguém que ajudou a enfrentar várias questões da minha adolescência com mais confiança e bem-estar.

Ter vivido isso certamente impactou na minha escolha em cursar psicologia. Durante a faculdade, voltei pra terapia. Convivi com profissionais maravilhosos e muito importantes na minha jornada. Eles me falaram coisas que eu precisava ouvir, me fizeram questionar as burocracias da profissão e também me ajudaram a romper com algumas crenças que me limitavam. Como em toda profissão, também esbarrei em outros que não estavam preparados ou que simplesmente não eram uma boa conexão pra mim naquele momento.

Depois de formada fui fazer especialização, me formei, mudei de país e hoje continuo em terapia. Não mais porque preciso das horas pra pegar o diploma, mas porque o processo é extremamente enriquecedor e me deixa mais embasada para trabalhar com meus pacientes. Meu terapeuta tem seus setenta e poucos. Do alto da experiência de quem foi aluno do próprio fundador da teoria, ele me ensinou o quanto vale a pena enfrentar os fantasmas, as dores e os medos mais antigos. Mostrou a conexão deles com alguns dos desafios e experiências atuais. Mais importante, me deu acolhimento, do tipo que não sufoca, que deixa espaço pra sentir o que precisa ser sentido. Eu tive liberdade pra chorar, pra expressar minha raiva e também pra rir e mostrar minha força e coragem.

O que me encanta no espaço da terapia é o fato de não poder ser recriado em nenhuma outra relação: nem com familiares, amigos, nem mesmo professores. O terapeuta fornece um ambiente seguro onde ele permite que você se expresse sem julgamentos ou interferência pessoal. Alguém se isentar tanto pra deixar o outro sempre no centro não seria saudável em outras relações. Mas é curador e essencial na dinâmica entre terapeuta e cliente.