Você atende online?

Photo credit: Sascha Kohlmann

Há alguns anos atrás, conheci em um evento uma brasileira que morava nos Estados Unidos. Ela soube que eu era psicoterapeuta e perguntou se eu atendia online. Gentilmente, respondi que não, atendia apenas no meu consultório em São Paulo. Confesso que, como muitos terapeutas que foram treinados de forma mais tradicional, até estranhei a pergunta… mas continuei ouvindo ela falar. Foi quando ela me tocou: ela me contou como o processo de adaptação estava sendo difícil de lidar e como não tinha encontrado nenhum profissional brasileiro que pudesse atendê-la em português.

Eu já tinha sido intercambista e sabia um pouco do que ela estava falando. Já tinha sofrido com a falta de um profissional que pudesse me entender não só no idioma, mas também culturalmente. Depois disso, trabalhei com refugiados e intercambistas. Como eu usava a internet pra fazer reuniões e falar com amigos que estavam longe, não era uma falta de familiaridade com tecnologia que estava me impedindo. Mas eu nunca tinha considerado trabalhar remotamente com brasileiros.

E por que limitar?

Passei alguns meses pesquisando sobre atendimento online. Fiz um curso, conversei com pessoas que já tinham experiência com isso e então comecei a oferecer sessões online — quase um ano depois daquela primeira conversa. Eu não tinha mais o contato daquela moça, mas logo comecei a trabalhar com brasileiros espalhados pelo mundo: gente que mora em cidades pequenas do Brasil, estudantes que estão em outro país temporariamente, profissionais que se mudaram ao receber uma proposta em outro lugar.

Algumas vantagens ficam evidentes: o tempo de deslocamento é economizado, o conforto de ser atendido de casa é incomparável, dá pra continuar com as sessões mesmo quando a pessoa se muda ou viaja. Certos cuidados são tomados pra garantir privacidade e sempre ter uma outra opção caso a conexão caia.

Algumas pessoas que me procuram nunca fizeram terapia antes. Às vezes faz falta estar frente a frente. Outras vezes, a distância acaba sendo uma aliada, possibilitando percorrer caminhos que demorariam mais para serem acessados sem a segurança de estar atrás de uma tela.

Pra mim, é imensamente gratificante ir acompanhando cada pessoa em seu processo. Hoje afirmo com a certeza da experiência: seja online ou presencialmente, cuidar de si mesmo e trabalhar as próprias questões é um processo que pode fazer muita diferença.